Serra da Capivara é cenário de ópera no sertão do Piauí


Crédito: Diego Campos/MTur

O Parque Nacional da Serra da Capivara, no sul do Piauí, abriga um verdadeiro tesouro. Além da preservação da fauna e da flora da caatinga, o local guarda mais de mil sítios arqueológicos já catalogados e uma infinidade de pinturas rupestres que retratam o dia a dia dos povos primitivos que por ali passaram. Além da beleza da região, o visitante se encanta com as pinturas que representam cenas do cotidiano e até de rituais religiosos. São os registros mais antigos do homem na América do Sul.

Escavações arqueológicas revelaram esqueletos pré-históricos, além de objetos ancestrais e fogueiras que teriam sido manipulados pelo homem, no sertão do Piauí, há pelo menos 128 mil anos. O Museu do Homem Americano, em São Raimundo Nonato, guarda o acervo desses registros preciosos. Pela sua importância histórica e cultural, a Unesco reconheceu a Serra da Capivara como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Foi nesse cenário, conhecido como o “Berço do Homem Americano”, que o festival Ópera da Serra da Capivara recebeu, neste final de semana, mais de mil espectadores, por noite, para as apresentações do espetáculo “Ancestral”. O anfiteatro da Pedra Furada, no coração do parque, recebeu dezenas de músicos, cantores e bailarinos para a encenação ao ar livre. Às apresentações de música, dança, teatro e orquestras (sinfônica e sanfônica), somaram-se imagens projetadas no paredão. Os efeitos visuais e sonoros realçaram para o público a grandiosidade do espetáculo.

Para os artistas locais como o bailarino Bruno Vieira e o sanfoneiro Sandro Dias, o “Sandrinho do Acordeon”, a ópera proporcionou uma oportunidade única para a expressão da arte atual produzida na região em junção com a arte dos ancestrais da caatinga. “Estamos dançando sobre sítios arqueológicos”, comentou Bruno.

“Nasci e cresci vendo essa arte pré-histórica e hoje também estou mostrando minha arte para o mundo que vem nos visitar”, concluiu Sandro Dias, o jovem sanfoneiro que, aos 22 anos, já rege uma orquestra sanfônica. A turista Maria Cistina Lage, de São Paulo, estava encantada com o que viu no palco e no parque. “Estou impressionada com a beleza cênica e artística da ópera, que tão bem retrata o passado dessa região”, disse. Durante o dia, a publicitária aproveitou para visitar os sítios arqueológicos.


Crédito: Diego Campos/MTur

Hotéis esgotados, casas alugadas, turistas comprando artesanato e degustando pratos regionais nos restaurantes de comida sertaneja, revelam a dinâmica do turismo motivado pelo festival. “As pessoas vieram atraídas pela ópera e quiseram visitar e conhecer os atrativos do parque. Os turistas lotaram a cidade e isso é muito bom para o turismo”, explicou o condutor de turismo João Filho, que acompanhava um grupo de oito turistas da capital, Teresina. “Vim ver, conhecer e me emocionei. Vale a pena visitar e conhecer a nossa história”, revelou o turista Levi Gomes.

O Parque Nacional da Serra da Capivara e o Museu do Homem Americano recebem, em média, 25 mil visitantes por ano. Dos 1.354 sítios arqueológicos cadastrados, 173 são abertos à visitação. O parque conta com 17 sítios históricos acessíveis para cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção. As visitas noturnas, previamente agendadas, em algumas trilhas, contam com iluminação especial. Chega-se ao local por Teresina, distante 530 km de São Raimundo Nonato, e também a partir de Petrolina (PE), localizado a 300 km do parque. O aeroporto de São Raimundo Nonato recebe dois voos semanais, partindo de Teresina.

 

Fonte: MTur

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